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Celebrar o rock e a amizade com a Game Over Riverside

GOR - Capa DiscoÉ bom estar em uma banda de rock. Acredito que é sortudo aquele que pode se juntar com os seus amigos, formar uma banda e, mesmo sem (grandes) pretensões, se aventurar andando pelo caminho cheio de aventura e diversão que só esse tipo de música pode lhe dar. Somente esse e mais nenhum outro. As desventuras também fazem parte da jornada e estão aí para calejar ainda mais cada integrante para o próximo passo a ser dado em conjunto. Às vezes me pego pensando se eu não tivesse optado por essa investida há anos atrás. Certamente outra coisa viria me servir a partir do início da minha adolescência, mas vai saber!?

O fato é que quando dei por mim já havia sido fisgado por essa música ao ponto de não entender bem quais os sentimentos que ela provocava, essa coisa invisível que ninguém pode explicar e meus amigos estavam na mesma sintonia. Formar um grupo só com os amigos de infância e adolescência não é raro de se encontrar, mas é difícil de acontecer e de cada um embarcar em uma viajem que com certeza acumula muito papo para a posteridade em festas de aniversário, encontros casuais e marcados que são recheados de muita história para contar (e não contar) aos seus filhos, filhas, chegados e netos. Parece algo simples, mas não é, é ter muita sorte haver pessoas muito próximas com quase a mesma idade em uma determinada sinergia. É claro, também, que se faz muita amizade através de uma banda de rock e isso é maravilhoso, por que, ao final das contas, a música conecta pessoas!
Foi mais ou menos assim com a Game Over Riverside, na qual seis caras resolveram meter a cara e fazer muita coisa que muita gente gostaria de ter feito e não conseguiu na época dos primórdios de origem da banda. Não me refiro a algo extremamente espetacular, mas o simples e importante fato de tocar suas próprias músicas, no lugar que fosse, para quem se interessasse em ouví-los, já era motivo para ficarem euforicamente acordados a noite inteira resenhando sobre o caos instantâneos das apresentações e de como elas pareciam ser conquistas de uma batalha dura e prazerosa de ser ganha. Performances incendiárias, o perigo frequente de se arrebentar uma bateria, acrobacias inexplicáveis enquanto se tocava um instrumento de corda, davam um tom selvagem às performances. Formada por Sérgio Moraes (vocal/guitarra), John-John Oliveira (guitarra), Leko Miranda (guitarra e backing vocals), André Gamalho (guitarra), Leonardo Cima (bateria) e Ricardo Cidade (baixo), a G.O.R. marchou pelas trilhas do rock procurando se divertir e salvar a noite de algumas pessoas nos agora já bem longínquos meados dos anos 2000, até se esbarrarem em compromissos mais sérios de suas vidas pessoais. Parar foi preciso e, olhando para trás, foi necessário. Alguns planos foram congelados por tempo indeterminado e ficou um certo sentimento de “criogenia” instalado sem que a banda percebesse.

O tempo passou, e mais maduros resolveram reativar a banda. O hiato de oito anos fez bem para os rapazes em muitos aspectos e mesmo mais velhos ainda possuíam boa parte da verve musical encontrada em sua primeira fase. Houve uma mudança de formação com a saída de Ricardo Cidade e com André Gamalho assumindo a posição de baixista do grupo. Foi só uma questão de tempo para tirar as ferrugens das articulações, lembrar as músicas, planejar shows e fazer um registro das canções que estavam quase perdidas no vento. Vieram as primeiras apresentações e o trabalho com o produtor André Virgo Araújo na produção do primeiro auto intitulado EP da Game Over Riverside. Foram gravadas seis canções que transitam entre o grunge, o stoner, o punk e o psicodelismo, fiéis a sua época e a forma como foram concebidas e ainda assim soando atuais como se fossem compostas semana passada. E tome-lhe mais histórias para contar dessas sessões de gravação. Para quem gosta de Radiohead, Sonic Youth, Pink Floyd e Ramones pode se apegar fácil ao som do quinteto, que continua firme no palco também. Isso tudo com um bom clima de celebração à música, a amizade de décadas e ao bom sentimento de realização de algo que não pôde ser feito no passado.

É bem difícil escrever sobre a sua própria banda, não é um parto, mas é bem difícil. Mas acredito que um pouco do que falei aqui se aplica para tantos outros grupos que estão por aí fazendo o que gostam, seja com velhos amigos ou com novas amizades, e que se divertem no intuito de melhorar o que já fazem. Fazer rock é uma experiência boa e a G.O.R. sabe qual o sabor disso, agregando o passado com o olhar para frente. Talvez você goste da banda, talvez não, caro leitor e cara leitora, mas vale a pena dar uma conferida!

Conheça o som da Game Over Riverside:

http://gameoverriverside.bandcamp.com/

Sobre Leonardo Cima

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É formado em administração e também colabora no site Portal Soterorock. Ainda mantêm o velho habito do século passado de comprar cd e livro, além de achar bom ir a cada dois meses para a Fonte Nova.

2 Comentários

  1. Author Image

    https://gameoverriverside.bandcamp.com/album/gor-game-over-riverside/

    pra mim o melhor disco de rock baiano do ano, se num for do brasil, e olha que é um cd demo…e são músicas de 2005 pra trás…e não são todas…nenhuma envelheceu…foda…

  2. Author Image

    oxe…num sei pq saiu a cara desse cara nos meus comentários-ehhehheh

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